
Moradores abandonam zona rural de Irauçuba
A zona rural do município de Irauçuba, a 146 quilômetros de Fortaleza, é uma desolação só. Casas abandonadas, outras destruídas, quase nenhum animal no pasto. A maioria dos moradores se cansou de uma espera inútil. O solo empobrecido já não consegue garantir o sustento de quem cresceu vivendo da terra. O jeito foi trocar o campo pela cidade. Uma realidade imposta pelos efeitos devastadores da desertificação que, em Irauçuba, desenha um dos quadros mais graves do Semi-Árido nordestino.
Mesmo os mais resistentes, estão entregando os pontos. "É teimosia continuar vivendo nessa secura. A tristeza de ver tudo abandonado só apressa o desejo de ir embora", conta o agricultor José Rodrigues Silva, um senhor de 62 anos que até hoje continua solteiro. Ele é o último morador da comunidade de Capim Açu, localizada na zona rural do município. Com as malas prontas, José Rodrigues só depende agora de arrumar um local para morar na cidade. "Vou viver com meus parentes. Esse sítio já foi um lugar animado. Hoje é perda de tempo". conforma-se. Fácil entender porque a população urbana do município praticamente dobrou nos últimos dois anos.
"Até o Incra se recusa a fazer assentamento, alegando que aqui é muito seco. Dizem que não tem água para o plantio, por isso não adianta demarcar as terras", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irauçuba, Francisco Edvar Ávila Rodrigues. Mesmo na época do inverno, as chuvas carregam a terra das serras para o solo, fazendo das plantações um imenso areal.
A pobreza no campo terminou contribuindo para a criação de um novo bairro na periferia da cidade, habitado, em sua maioria, pelos que fugiram da zona rural. Agora os moradores enfrentam outros tipos de dificuldade. Sem saneamento básico, os esgotos do bairro correm a céu aberto e muitos já pegaram doenças, como sarna e hanseníase.
Na falta de tudo, a esperança de conseguir algum dinheiro para comer vem do céu. Nos últimos meses, a "pomba avoante", ou arribaçã, uma ave típica do Sertão que ainda resiste à desertificação, se transformou na principal fonte de renda do município. O pássaro é visto quase como um milagre. Uma ajuda divina para quem já não tem mais a quem recorrer. "Se não fosse essa ave, estávamos todos passando fome. Faz tempo que a terra morreu para o plantio", diz Francisco Milton Teixeira, 39, que passa o dia dentro das matas caçando avoante.
A zona rural do município de Irauçuba, a 146 quilômetros de Fortaleza, é uma desolação só. Casas abandonadas, outras destruídas, quase nenhum animal no pasto. A maioria dos moradores se cansou de uma espera inútil. O solo empobrecido já não consegue garantir o sustento de quem cresceu vivendo da terra. O jeito foi trocar o campo pela cidade. Uma realidade imposta pelos efeitos devastadores da desertificação que, em Irauçuba, desenha um dos quadros mais graves do Semi-Árido nordestino.
Mesmo os mais resistentes, estão entregando os pontos. "É teimosia continuar vivendo nessa secura. A tristeza de ver tudo abandonado só apressa o desejo de ir embora", conta o agricultor José Rodrigues Silva, um senhor de 62 anos que até hoje continua solteiro. Ele é o último morador da comunidade de Capim Açu, localizada na zona rural do município. Com as malas prontas, José Rodrigues só depende agora de arrumar um local para morar na cidade. "Vou viver com meus parentes. Esse sítio já foi um lugar animado. Hoje é perda de tempo". conforma-se. Fácil entender porque a população urbana do município praticamente dobrou nos últimos dois anos.
"Até o Incra se recusa a fazer assentamento, alegando que aqui é muito seco. Dizem que não tem água para o plantio, por isso não adianta demarcar as terras", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irauçuba, Francisco Edvar Ávila Rodrigues. Mesmo na época do inverno, as chuvas carregam a terra das serras para o solo, fazendo das plantações um imenso areal.
A pobreza no campo terminou contribuindo para a criação de um novo bairro na periferia da cidade, habitado, em sua maioria, pelos que fugiram da zona rural. Agora os moradores enfrentam outros tipos de dificuldade. Sem saneamento básico, os esgotos do bairro correm a céu aberto e muitos já pegaram doenças, como sarna e hanseníase.
Na falta de tudo, a esperança de conseguir algum dinheiro para comer vem do céu. Nos últimos meses, a "pomba avoante", ou arribaçã, uma ave típica do Sertão que ainda resiste à desertificação, se transformou na principal fonte de renda do município. O pássaro é visto quase como um milagre. Uma ajuda divina para quem já não tem mais a quem recorrer. "Se não fosse essa ave, estávamos todos passando fome. Faz tempo que a terra morreu para o plantio", diz Francisco Milton Teixeira, 39, que passa o dia dentro das matas caçando avoante.

Nenhum comentário:
Postar um comentário