
Uma camisa de cor vermelha rasgada, um chinelo de borracha azul, pedaços de pano espalhados, uma bolsinha de guardar canetas e lápis. Até a sela de uma das bicicletas continua no local, despedaçada. Os objetos que ficaram no local da tragédia que vitimou uma família na noite da última quinta-feira, no quilômetro 160 da BR-222, em Irauçuba (Zona Norte), ontem era atração para quem passava. Também ainda estava no local o bloco de granito, de aproximadamente seis toneladas, que se desprendeu de um caminhão e atingiu o casal de agricultores Francisco Rodrigues de Oliveira Filho, 26, e Maria Carla Gomes do Nascimento, 21. Os dois seguiam de bicicleta, às margens da rodovia, levando os filhos Carliane, 4, e Francisco, 2. Maria Carla estava grávida de oito meses. Todos morreram e o enterro ocorreu ontem, no cemitério de Irauçuba. "Estou aqui, um pouco apertado, triste, ainda sem acreditar no que houve", dizia ontem à tarde, o pai de Francisco, também agricultor e conhecido como Chico Binga. Ele contou que era costume o filho, a nora e os netos passarem na sua casa, todos os dias, no fim da tarde, antes de irem pra casa. "Eles tinham acabado de sair daqui quando vieram me avisar do acidente. Eu não sei como foi isso. O costume deles era seguir por outro caminho e ontem resolveram ir pela beira da pista (BR-222). Foi horrível", lamenta. Seu Francisco, 53, disse que o acidente foi por volta das 18h30min e, na hora, passava de moto pelo local, Geraldo Freitas Sales, filho da vizinha de Chico Binga, Raimunda Sales. "Ele veio direto avisar. O meu neto, Francisco, ainda foi pro hospital, mas também morreu. Agora só me restam três netos". Seu Chico é pai de sete filhos e a maioria vive com ele na Fazenda Costa, a sete quilômetros do centro de Irauçuba. O filho, a nora e os netos acidentados moravam na localidade de Cacimba do Salgado, também em Irauçuba. O agricultor diz que eles eram acostumados a trafegar de bicicleta e "sempre tinham o cuidado de ir pela beirada da pista e não pelo meio". Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Sobral, a 224 quilômetros de Fortaleza. Ontem, foi marcada uma missa de corpos presentes na Capela de Nossa Senhora das Dores, no bairro Jubá, em Irauçuba, às 17h30min, e em seguida o sepultamento, no cemitério da cidade. A avó de Maria Carla, Maria Gomes do Nascimento, 72, que mora no Jubá, foi buscar os corpos em Sobral. "Ela criou a Maria Carla desde pequena", disse Maria Roseline Soares, uma dos 11 filhos de dona Maria Gomes. Disse que ela tinha sofrido muito com a tragédia, porém já estava mais tranqüila. Uma multidão aguardava para ver os corpos antes do sepultamento.


